Governo são-tomense responsabiliza professores pelas consequências da paralisação no ensino

Politica 08 de Fevereiro de 2016 Vitrina O governo responsabilizou quarta-feira o sindicato dos professores pelas consequências da greve por tempo indeterminado, iniciada esta terça-feira em todos os centros de ensino do país e acusou os docentes de tentarem impedir outros colegas seus de trabalhar.

 “O governo reconhece o direito legítimo e constitucional do sindicato de fazer a greve, bem como o direito legítimo e constitucional de quem pretende trabalhar e não fazer a greve, sendo, por isso, pouco ético utilizar meios pouco lícitos no sentido de persuadir os alunos a abandonar os recintos escolares ou impedir e ameaçar os professores e educadores que querem trabalhar”, diz o governo em comunicado.

Apela ao SINPRESTEP ao respeito das leis em vigor, abstendo-se de “práticas que põem em causa os direitos e liberdades de cada professor e educador, bem como a segurança dos alunos e dos estabelecimentos de ensino”.

Num extenso comunicado de dez pontos, o executivo “lamenta profundamente” a paralisação decretadas pelos professores e reafirma a incapacidade do Orçamento de Estado (OE) em “suportar um aumento salarial de 50% conforme pretendido pelos professores”.

Segundo o executivo de Patrice Trovoada, foi o sindicato quem preferiu romper as negociações “pelo simples fato do governo não poder satisfazer a sua exigência de um aumento dos salários de base em 50%”.

Lembra aos professores e educadores que decretarem uma greve por tempo indeterminado “significa que todos os acordos parciais alcançados ao logo dessas negociações foram postos em causa e naturalmente não poderão ser executados enquanto as partes não regressarem livre e espontaneamente à mesa das negociações”.

O governo adverte ainda em comunicado ao SINPRESTEP que o estado não vai pagar salários e demais subsídios aos professores, educadores, cantineiras, serventes e guardas que aderiram a paralisação.

Manifesta “sempre aberto” a retomar as negociações, mas sublinha que elas têm que ser feita “atenta ao que as nossas finanças podem dar, com realismo e dentro de um espírito de responsabilidade que deve nortear o todos” e também na base dos compromissos assumidos pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por seu lado, o principal partido da oposição criticou hoje o governo e o primeiro-ministro pela forma como está a lidar com a greve no setor da educação.

“Não é aceitável que perante a ameaça de uma greve iminente, num dos setores mais importantes para o desenvolvimento de qualquer sociedade, e em sinal claro de menosprezo à classe docente, verifica-se a deslocação para o exterior do chefe do Governo, quando se sabe que todas as decisões deste Governo estão centralizadas na pessoa do senhor Primeiro Ministro”, diz o Movimento de Libertação de são Tomé e Príncipe – Partido Social democrata (MLSTP-PSD).

“As causas imediatas dessa greve residem na falta de diálogo do Ministro da Educação, Sr. Olinto Daio que revela o seu autoritarismo, prepotência e uma comunicação desonrosa relativamente aos professores, pois estes são chamados publicamente de incompetentes e de falta de perfil para exercerem a profissão, ao ponto de ameaça-los com contratação de professores estrangeiros no ensino geral”, refere ainda o comunicado dos sociais-democratas.

O principal partido da oposição sublinha ainda que as políticas do ministro de tutela “em fazer reformas mal concebidas têm revelado descontentamentos, quer dos professores, quer dos pais e encarregados de educação, quer ainda dos próprios alunos”.

No final da tarde de terça-feira mais de uma centena de professores manifestaram-se em frente ao gabinete do primeiro-ministro, na Praça Yon Gato na capital são-tomense, vestido de luto e exigindo a demissão imediata do ministro da educação. M. Barros

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